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Maria Alberta & Ulisses

em 16/04/19


Acordei hoje com a notícia do falecimento de Maria Alberta Menéres, autora de Ulisses, livro que li vezes sem conta, em miúda. Enquanto recordava a história de Ulisses e Penélope, confirmei, uma vez mais, que tanto do que me agrada agora foi plantado há muito tempo. E vejam lá o meu pedacinho favorito deste livro: 

O gigante contou-lhe tudo e disse que se chamava Polifemo. E depois foi a vez dele perguntar a Ulisses como é que ele se chamava [...]. 
- Então não sabes como te chamas? Como te chamas? Como te chamas? Como te chamas???
Ulisses, de cabeça perdida, só lhe soube responder:
- Como me chamo? Como me chamo? Sei lá. Olha, espera, chamo-me… Ninguém. 
- Ninguém?! Que diabo de nome te deram, pigmeu! Por isso tu não o querias dizer. E tinhas razão, lá isso tinhas! Olha que ideia, Ninguém…
E então de repente a cabeça caiu-lhe sobre o peito e adormece profundamente. [...]. O ciclope acorda aos urros [...]
- Ai meus irmãos, acudam-me, acudam-me! 
- O que foi, Polifemo?
- Ai meus irmãos, acudam-me, Ninguém quer matar-me...
- Pois não, Polifemo, ninguém te quer matar. 
- Não é  isso, seus palermas! O que eu estou a dizer é que Ninguém está aqui e Ninguém quer matar-me!
- Pois é, rapaz! É o que nós estamos a perceber muito bem: ninguém está aqui e ninguém te quer matar!
- Não é isso, seus idiotas! 
E não havia maneira de se entenderem uns com os outros. 

Tinha de envolver nomes, não era? Felizmente, os livros nunca nos deixam. 

Os livros e os nomes

em 11/02/11

Entre os 10 e os 14 anos, devo ter lido centenas de livros juvenis. E quando não tinha livros novos, relia os antigos tantas vezes que chegava a saber reproduzir os diálogos, frase a frase. Não sei se o conceito existia nas vossas cidades, mas na minha, mensalmente, aparecia a Biblioteca Itinerante da Câmara Municipal, uma carrinha antiga, cheia de formas arrendondadas, branca. Por dentro, era toda em madeira envernizada, e o chão rangia à medida que eu dava passinhos para escolher os dez livros que podia levar para casa durante 30 dias. Já nessa altura era fascinada pelos nomes das personagens...

Colecções:
Clube das Chaves: Pedro, Anica, Margarida, Frederico, Vasco e André
Uma Aventura: Luísa, Teresa, Francisco, Pedro, João
Triângulo Jota: Joel, Jorge e  Joana
Viagens no Tempo: Orlando, Ana e João

Livros:
A Lua de Joana
Úrsula, a maior: Maria João, Nicolau,
O guarda da praia: Luís (Dunas)
Gaspar & Mariana
Rosa, minha irmã Rosa: Mariana, Elisa, Magda, Lídia, Rita
Paulina ao piano 
Lote 12, 2.º frente: Mariana e Rosa
Caderno de Agosto: Glória
A Espada do Rei Afonso: Mafalda, Vasco, Fernando
A Lua não está à venda: Estrela
A fada Oriana
A floresta: Isabel
Diário de Sofia & Cia 

Para além dos livros em si, os próprios autores tinham nomes maravilhosos: Sophia de Mello Breyner, Alice Vieira, Maria Teresa Maia Gonzalez, Alexandre O'neill, Luísa Ducla Soares, Isabel Alçada, José Jorge Letria...

Não sei se podemos falar em grande variedade de nomes - mas que eram bonitos, lá isso eram!

Nomes na literatura portuguesa

em 14/09/10


Hoje debruço-me sobre o livro "As pupilas do Senhor Reitor", de Júlio Dinis - na verdade, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, filho de Ana Constança e José Joaquim. 

Eis alguns dos nomes encontrados no romance:


  • André
  • António
  • Damião
  • Daniel
  • Francisco
  • João
  • José
  • Miguel
  • Luís
  • Pedro

  • Ana
  • Bernarda
  • Brásia
  • Clara (Clarinha, Clarita)
  • Ermelinda
  • Francisca
  • Joana
  • Leocádia
  • Luísa
  • Margarida (Guida)
  • Maria
  • Rosa
  • Teresa
  • Tomásia

Os nomes na literatura portuguesa - O crime do Padre Amaro

em 03/09/10


O primeiro livro de capa dura que li foi O Crime do Padre Amaro. Tinha 13 anos. A minha mãe, que o tinha comprado pelas Selecções mas nunca o tinha lido, não tinha a certeza se o livro era muito adequado à minha idade, mas sabia que ler não fazia mal a ninguém e, por isso, não se opunha à leitura. Acho que se arrependeu ligeiramente quando eu lho resumi, começando por "O padre Amaro engravidou a Amélia". 
Aqui fica uma lista de personagens do livro, escrito em 1875. Nomes antigos, podemos assim dizer. 

Masculinos:

  • António
  • Artur
  • Carlos
  • Domingos
  • Félix
  • Gusmão
  • Gustavo
  • Hércules
  • João
  • João Eduardo
  • Joaquim
  • Joaquim Eduardo
  • José Miguéis
  • Luís
  • Matias
  • Osório
  • Patrício
  • Serafim
  • Silvério
  • Vicente

Femininos:

  • Aline
  • Amélia
  • Amparo
  • Ana
  • Augusta
  • Bárbara
  • Bernarda
  • Cândida
  • Carlota
  • Casimira
  • Catarina
  • Dionísia
  • Gertrudes
  • Joana
  • Joaquina
  • Josefa
  • Juliana
  • Luísa
  • Maria
  • Maria da Assunção
  • Maria Vicência
  • Micaela
  • Rosa
  • Teresa